Insegurança, constrangimento e
dificuldades nas relações sociais estão entre os desafios de quem convive com a
doença
A adolescência e o início da vida
adulta são períodos marcados por mudanças físicas, construção da identidade e
busca por aceitação social. Para quem convive com a psoríase, doença
inflamatória crônica e não contagiosa que provoca lesões avermelhadas e descamativas
na pele, essa fase pode trazer desafios extras, especialmente quando as marcas
ficam expostas e despertam olhares ou comentários.
A preocupação com a aparência, a
escolha das roupas, as atividades de lazer e os relacionamentos ganham outro
significado para quem enfrenta os efeitos visíveis da doença. Entre as meninas,
a pressão estética e as cobranças relacionadas à imagem corporal podem tornar
essa experiência ainda mais delicada.
Segundo o dermatologista Antonio
Lui, do hospital Santa Casa de Mauá, a psoríase não é só manifestação cutânea,
já que interfere no bem-estar emocional e nas relações sociais. “Na juventude,
a aparência tem um peso importante na forma como muitos indivíduos se percebem
e acreditam ser vistos pelos outros. Quando surgem lesões na pele, alguns
jovens podem sentir vergonha, evitar certas situações e ter a autoestima
afetada. Por isso, é importante considerar não apenas os sintomas físicos, mas
também o impacto emocional da doença”, explica.
A psoríase é uma condição crônica
relacionada ao funcionamento do sistema imunológico e pode se manifestar em
diferentes partes do corpo, como cotovelos, joelhos, couro cabeludo e unhas.
Sua evolução varia de pessoa para pessoa, com períodos de melhora e
agravamento. Embora não seja contagiosa, a aparência das lesões pode gerar
preconceito e desinformação.
Vale reforçar que a psoríase é
uma doença inflamatória crônica que não se limita à pele. Em alguns pacientes,
também pode acometer as articulações, causando dor e inchaço, quadro conhecido
como artrite psoriásica. Além disso, a inflamação sistêmica associada à doença
está relacionada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, o que reforça
a importância do acompanhamento médico contínuo.
De acordo com o dermatologista, o
acolhimento e a informação são importantes para que os jovens não enfrentem a
condição de forma isolada. “Comentários sobre a aparência e a falta de
conhecimento aumentam o constrangimento de quem convive com a doença. É
fundamental que familiares, amigos e educadores compreendam que a psoríase não
é contagiosa e que o paciente precisa de respeito e apoio, sem julgamentos”,
orienta.
Embora não tenha cura, a psoríase
tem diferentes opções de tratamento. A escolha depende das características e da
gravidade de cada caso. Entre as possibilidades estão medicamentos de uso
tópico, fototerapia, medicamentos sistêmicos e terapias imunobiológicas. O
acompanhamento dermatológico permite avaliar a evolução da doença e ajustar os
cuidados às necessidades de cada paciente.
“O tratamento adequado ajuda a
controlar as manifestações da psoríase e melhorar a qualidade de vida. Também é
importante que o paciente se sinta à vontade para conversar com o médico sobre
as dificuldades que enfrenta no dia a dia, inclusive aquelas relacionadas à
autoestima e à convivência social”, acrescenta o dermatologista.
O Hospital Santa Casa de Mauá
está localizado na Avenida Dom José Gaspar, 1.374, Vila Assis, Mauá. Telefone:
(11) 2198-8300. Mais informações em https://santacasamaua.org.br/.
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